As operações e os conjuntos – i
Este é o primeiro de uma série de artigos que escreveremos com o objetivo de realizar um estudo singelo sobre os conjuntos numéricos a partir das operações conhecidas. É sigelo, pois não demonstraremos nenhum resultado aqui enunciado. Os conjuntos irão aparecer na medida em que deles necessitemos.
A ideia é problematizar as situações dentro de cada conjunto numérico apresentado. Na medida do possível, com situações simples, tentaremos exaurir os Conjuntos já conhecidos para apresentarmos um outro. De forma que o problema, até então sem solução, encontre abrigo
, ou seja, um novo conjunto.
Para dar um pouco de formalidade aos estudos que aqui tratados vamos lembrar alguns conceitos basilares sobre os conjuntos
.
Conjuntos e elementos
Na matemática, um conjunto é uma entidade que agrega coisas que cumprem
determinadas propriedades
. Tais coisas são chamadas de elementos
. Esta forma de estabelecer um conjunto é bastante abrangente, no sentido de que, se enunciarmos uma propriedade e que não haja algum elemento capaz de cumprir, esse conjunto não terá qualquer elemento, ou seja, é um conjunto vazio. Visite o artigo Conjunto vazio para mais detalhes.
A que relação
que poderá existir entre um elemento e um conjunto é chamada de relação de pertinência
, enquanto que e a relação entre conjuntos é chamada de relação de inclusão
.
A notação matemática hoje é bastante consistente e facilita sobremedida sua escrita bem como a nossa compreenção sobre o que está escrito. Usam-se em geral as letras maiúscula do alfabeto latino (\(A, B, C,..\)) para designarmos os conjuntos e as minúsculas (\(a, b, c, ...\)) do mesmo alfabeto para designarmos os elementos de um conjunto.
Na medida do possível, representamos um conjunto elencando seus elementos entre chaves e separando-os por vírgualas ou ponto e vígulas. Assim, podemos escrever
\[P = \{a, e, i, o, u\}\]e diremos que \(P\) é o conjunto das nossas vogais minúsculas.
Quando não quisermos nos alongar com a escrita e não causar nenhuma confusão de entendimento, poderemos usar as reticências para representar uma sequêcia lógica de raciocínio. Por exemplo,
\[Q = \{1, 2, 3, ..., 9, 10\}\]e
\[\Bbb{N} = \{0, 1, 2, 3, ...\}\]será o mesmo que escrevermos \(Q = \{1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10\}\) e que \(\Bbb{N}\) é o conjunto que começa
no zero, passa pelo em, pelo dois, pelo três e é infinito.
À propósito, o conjunto \(\Bbb{N}\) apresentado acima é chamado de Conjunto dos Númerios Naturais
. Daqui para frente diremos apenas os Naturais
.
As relações de pertinencia (elemento e conjunto)
Usamos a notação \(x \in J\) e \(y \notin K\), para dizermos que \(x\) é um elemento do conjunto \(J\) e que \(y\) não é um elemento do conjunto \(K\), respectivamente. Abreviadamente dizemos “\(x\) pertence a \(J\)” e “\(y\) não pertence a \(K\)”.
Exemplos
Dado o conjunto \(Q\) acima, temos que
\[3 \in Q,\] \[16 \notin Q.\]Quando não é possivel ou é enfadonho arrolarmos todos os elementos de um conjunto entre chaves, podemos fazê-lo determinando uma regra ou propriedade que seus elementos cumprem. Podemo ter, então
\[L = \{ x ; \text{"x cumpre determinada regra"}\},\]e leríamos: \(L\) é o conjunto dos \(x\) tal que, \(x\) cumpre determinada regra. É comum encontrarmos nos livros didáticos, em vez de ponto e vírgula (;), uma barra (/ ou |) para designar o tal que
.
Exemplo
\[D = \{n \in \Bbb{N}; n \le 12 \} = \{0, 1, 2, 3, ..., 11, 12 \}.\]Mais à frente, veremos mais formas.
As relações de inclusão (entre conjuntos)
Quando todos os elementos de um conjunto \(P\) são também elementos do cojunto \(Q\), diremos que \(P\) é um subcjunto de \(Q\) ou ainda que \(P\) está contido em \(Q\) e escreveremos \(P \subset Q\).
Se invertermos a ordem de escrita dos dois conjuntos \(P\) e \(Q\) e escrevermos \(Q \supset P\), diremos que \(Q\) contém \(P\). Contudo, continuaremos entendendo que \(P\) é subconjunto de \(Q\).
Exemplo
Temos que \(P = \{2k; k \in \Bbb{N}\} = \{0, 2, 4, ...\}\) é conjunto dos números naturais pares e portanto, \(P \subset \Bbb{N}\) ou ainda, \(\Bbb{N} \supset P\).
Em particular, as relações entre conjunto dão encejo a uma álgebra
muito especial. À medida que necessitarmos de mais substância, nós faremos mais menções.
Conjunto fechado em relação a uma operação
Nos cursos superiores de Matemática, usa-se um conceito muito apropriado para relatar fatos sobre um conjunto e uma determinada operação entre seus elementos. Dado um conjunto \(M\) e uma operação \(\oplus\), dizemos que \(M\) é fechado
em relação à operação \(\oplus\), se para todo \(x,y \in M\), tivermos \(x \oplus y \in M\).
No próximo artigo desta série, nós avançaremos um pouco mais.